Página 2 · O Método
Estrutura patrimonial não se compra. Se desenha.
A sequência abaixo não é rígida por formalismo. É rígida porque a ordem importa: desenhar estrutura antes de diagnosticar é a origem da maioria das estruturas mal construídas que encontro em famílias que já tentaram resolver isso antes.
01
Duas a quatro semanas
O que acontece
Levantamento da situação real, não da situação declarada. Composição patrimonial por classe de ativo, moeda e jurisdição. Estrutura societária e instrumentos existentes. Composição familiar e cenário sucessório, incluindo configurações que exigem cuidado adicional, como famílias recompostas e sociedades entre irmãos. Exposição tributária projetada no evento sucessório.
O que você recebe
Documento escrito com o mapa da estrutura atual e a identificação dos pontos de fragilidade, em ordem de criticidade. Sem recomendação de produto nesta etapa.
Por que separado
Diagnóstico que já vem com solução embutida não é diagnóstico. É apresentação comercial com etapa disfarçada.
02
Três a seis semanas
O que acontece
Definição da arquitetura: quais instrumentos, em quais jurisdições, com qual titularidade e quais beneficiários. Ordem de implementação. Custo estimado e prazo. Interação com a estrutura brasileira existente: holding, acordo de sócios, testamento, doações em vida.
O que você recebe
Proposta técnica com a arquitetura recomendada, as alternativas consideradas e a justificativa de cada decisão. Incluindo, explicitamente, o que foi descartado e por quê.
Princípio
Estrutura excessiva custa caro, atrai atenção desnecessária e cria complexidade que a próxima geração não vai saber administrar. Simplicidade é critério técnico, não estética.
03
Quatro a doze semanas, conforme complexidade
O que acontece
Coordenação entre as partes: assessoria jurídica de sucessões e societário, contabilidade, instituições internacionais e o family office ou escritório de gestão da família, quando existente. Subscrição, abertura de estruturas, transferências e formalização documental.
O que você recebe
Estrutura implementada, documentada e com o conjunto de documentos organizado em formato que a família consiga usar sem depender de memória de terceiros.
Princípio
Estrutura que só funciona se você estiver presente para explicar não é estrutura. É dependência.
04
Revisão anual, com acompanhamento em eventos relevantes
O que acontece
Revisão da estrutura frente a mudanças de legislação, de composição familiar, de configuração societária e de ciclo da empresa. Atualização de beneficiários. Reavaliação de adequação.
O que muda com o tempo
Legislação tributária internacional mudou de forma significativa nos últimos anos: tributação anual de estruturas no exterior, tratamento fiscal de trusts, ampliação da troca automática de informações entre países. Estrutura desenhada sob regra antiga e nunca revisada pode ter perdido eficiência sem que ninguém tenha notado.
Princípio
A conversa que ninguém quer ter é a que acontece quando a estrutura é acionada e alguém descobre que ela envelheceu.
Nenhuma estrutura é recomendada sem análise da legislação aplicável em cada jurisdição envolvida e sem validação com a assessoria jurídica e tributária do cliente. Conclusões sobre efeito fiscal, sucessório ou societário são formuladas para o caso concreto, nunca em caráter geral.
A primeira conversa não tem custo e não tem compromisso. Na maior parte das vezes há trabalho a fazer, e o que varia é o campo: parte das questões pertence ao direito sucessório e societário, conduzida por advogados especializados, e parte pertence à estruturação patrimonial, que é o que eu conduzo. A conversa serve para separar uma coisa da outra, e para dizer com clareza qual é qual.
Construir patrimônio é tarefa de uma vida.
Preservar entre gerações é tarefa de uma estrutura.
Rafael Paterlini · Paterlini Advisory